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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os Mares do meu destino

Desespero por uma luz.
Uma luz ténue e bela que me guie para o porto da minha quietude.
Desejo a tranquilidade e não o reboliço de gentes que chegam e partem sem deixar saudade.
Abomino o vazio das multidões e o frenesim dos ratos de experieencias mil que correm e recorrem nos seus labirintos.
Dão-me repulsa as obrigações e convenções.Os tratados e acordos ,as penalizções e julgamentos.
Desejo que a noite que pausa a recorrente correria não cesse e que por milagre ou por destino permaneça embalado nos sonhos até que a mente purgue esta bilis amarga que me corroi a paz e a alegria.
Desejo acordar desta ilusão pesada e castigadora que perverte e tenta esculpir cada ser á imagem da sua deformação.Como um ser feio e cruel que por força elimina a beleza para que a sua fealdade passe desapercebida.
Quero voltar a ouvir a voz conselheira do mar . Inspirar e reter a sua infinita sabedoria.
Quero aconselhar-me com o vento e perceber as suas mudanças de humor.Sentir o sol a beijar-me o rosto sem me queimar.
No fundo rodear-me de tudo o que é verdadeiro e por isso eterno.
Persigo incessantemente a simplicidade por entre a névoa das mentiras do cenário que me rodeia.Todos os dias rasgo o guião que me tentam fazer seguir silaba a silaba e improviso revoltado duas ou tres palavras em cada frase para que me sinta vivo.
Nesta revolta sobrevive a esperança dos que acreditam sempre até ao fim.
Nesta esperança é gerado todos os dias o homem novo.
Volteando e retorcendo ,caminhando, perdendo e ganhando todos os dias algo permanece intocável.
Aquela chispa de fogo que não se apaga.
Chamem-lhe esperança ou loucura.Ela por pequena e refundida é sustento,é base ,é a ancora que me segura á vida.
Não se extingue nem é passageira e por isso a sei verdadeira.
Com este fogacho me uno ao meu próximo fazendo um grande circulo de fogo que na altura em que a névoa se desvaneça irá iluminar e aquecer quem tenha frio e sede e vontade de voltar a ver.
Se a grande mentira me vencer espero ser humilde e caminhar ao lado de todos os cegos e famintos até á fonte.
Saciar a minha sede e pedir perdão pela fraqueza de ter sucumbido á ilusão.
Que o véu se levante e todas as coisas postas a descoberto.
Que todos os segredos deixem de o ser e caminhando nu a harmonia de pertencer ao todo me embale nos seus braços e não mais se afaste.
Que a leveza me transporte no grande voo das aguias e o vento me acaricie o rosto num beijo terno e eterno.
Sei que um dia vou voar .
Sei que a liberdade me aguarda em cada pensamento,em cada palavra,em cada escolha em cada esquina.
Não fora a maldita névoa e já hoje voaria por entre os cumes do meu sentir e sobre os mares do meu destino.

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